"Ser radical é agarrar a coisa pela raiz. Mas a raiz, para o homem, é o próprio homem."
Crítica da Filosofia do Direito de Hegel
Karl Marx
"Do outro lado, encontram-se os próprios governantes, cuja grandeza está em proporção inversa ao seu número!"
Crítica da Filosofia do Direito de Hegel
Karl Marx
Por João Pedro Stedile
Nos últimos anos, as tragédias sociais e ambientais têm se repetido em quase todo Brasil. Às vezes no nordeste, no sul, e quase sempre no sudeste. Os telejornais nos abastecem com detalhes da desgraça humana. Mortes. Idosos e crianças que não conseguem fugir a tempo. Gente ilhada cuidando do pouco que restou, com medo ainda dos roubos. Casas destruídas. Bairros inteiros inundados, pontes derrubadas. A população é impelida a fazer campanhas, doações, e até alguns empresários se penalizam com contribuições. Todo ano a mesma coisa! Mas nenhuma palavra sobre as verdadeiras causas desses problemas que se repetem.
(REVISTA CAROS AMIGOS)
Em dia anunciado para o corte no Orçamento da União 2012, o Planalto abriu créditos especiais e extras de R$ 804,16 milhões para o fechamento de contas de alguns ministérios relativas ao exercício anterior.
De acordo com decreto presidencial publicado no “Diário Oficial da União” desta quarta-feira, os recursos vão para a Presidência, ministérios da Agricultura, Ciência e Tecnologia, Defesa, Desenvolvimento Social, Educação, Integração Nacional, Justiça, Meio Ambiente, Relações Exteriores, Saúde e Transportes; e para encargos financeiros da União.
O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, afirmou hoje que o governo brasileiro deve cortar cerca de R$ 50 bilhões em gastos de seu Orçamento de 2012 para ajudar a cumprir suas metas fiscais.
“Será algo em torno de R$ 50 bilhões para este ano, talvez um pouco mais”, afirmou Pimentel durante visita oficial a Dubai. “Todo ano o governo anuncia um contingenciamento do Orçamento no começo do ano; é uma medida de precaução.”
O anúncio do corte ocorrerá hoje, às 14h30. O governo tem tentado evitar as especulações em torno do corte que tem como objetivo garantir o cumprimento de superavit primário (economia feita para o pagamento dos juros da dívida pública).
O corte pode ser positivo do ponto de vista fiscal, de economia do gasto público, por exemplo. Mas há um lado negativo neste contigenciamento: a possibilidade de limitações ou recuo nos investimentos estatais, uma das preocupações governamentais.
Ontem, o ministro Guido Mantega (Fazenda) ressaltou que os investimentos deverão crescer mais do que 10% em 2012 e que, diante do cenário econômico internacional, o Brasil estará “remando contra a corrente”.
Outro objetivo do corte orçamentário é assegurar o espaço para o afrouxamento da política monetária, com a redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central. Com isso, o governo pretende estimular o mercado interno a induzir o crescimento econômico, em um cenário possível redução da demanda externa provocada pela crise da zona do euro.
Segundo disse hoje Pimentel, o Brasil está mantendo a dívida pública “sob rigoroso controle para evitar o que aconteceu na Europa”. “É por isso que há um contingenciamento preventivo do Orçamento como esse”, afirmou o ministro do Desenvolvimento.
-Por Folha de São Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/poder/1049016-planalto-abre-credito-extra-de-r-804-mi-para-13-setores-federais.shtml
"
Notícias para lidar com o mercado
Revista Exame
"
Governo quer que Vale incorpore despesa em obra do Pará.
O governo federal quer empurrar para a Vale uma fatura de R$ 500 milhões visando garantir a navegabilidade do Rio Tocantins, no Pará, entre os municípios de Marabá e Tucuruí - durante os 12 meses do ano. Atualmente, apesar da construção da hidrovia e das eclusas de Tucuruí, o rio é utilizado por apenas oito meses devido à necessidade de retirada de pedras (derrocamento) do que ficou conhecido como Pedral do Lourenço.
Por Célia Maria Ladeira Mota em 06/12/2011
A possibilidade de acesso aos mais diversos sites na internet significa o aumento de alternativas para cidadãos do mundo inteiro exercerem uma fiscalização permanente sobre o que é publicado pela grande imprensa e pelos sites informativos que têm surgido nas últimas décadas. Este movimento de resposta interativa está sendo chamado de gatewatching pelo pesquisador Axel Bruns, da Universidade Tecnológica de Queensland, na Austrália.
Em palestra este ano no congresso anual da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), o pesquisador Axel Bruns lembrou que não é possível mais controlar o fluxo de informações da maneira tradicional, como um esforço editorial que ficou conhecido como gatekeeping, a porta de entrada da notícia no jornal, guardada a sete chaves pelos editores. Para Bruns, o gatekeeper é tarefa em extinção em jornais do mundo inteiro. O processo se inverteu e o leitor, telespectador ou ouvinte se transformou em gatewatcher da informação.
É um processo que ocorre praticamente em real-time, com respostas prontas e opinativas, na maior parte das vezes. A multiplicação de canais de informação disponíveis hoje em dia mostra que esta é uma mudança sem volta. E que permite um aumento também das audiências, que se tornam seletivas e voltadas para sites específicos, de acordo com o gosto e o interesse de cada um. São comunidades on-line que compartilham os mesmos temas e transformam os usuários em novos produtores de notícias e informações, segundo o pesquisador.
Pode-se pensar cada uma dessas comunidades como um novo espaço ambiental, que une cidadãos desconhecidos em torno de valores, costumes, culturas. A integração on-line cria um novo conceito para espaço e tempo, fora dos limites físicos. É interessante pensar que hoje, quem vigia os portões não é mais o jornalista editor, mas o leitor que estabelece novo controle sobre o fluxo informativo.
A geografia da Ocupação
“Quase seis em cada dez americanos vivem no estado onde nasceram, de acordo com os EUA Census Bureau. Mas há uma variação considerável de estado para estado, como o mapa (acima) pela Zara Matheson da mostra Martin ProsperityInstitute. Mais de 75% das pessoas na Louisiana (78,9 %), Michigan(76,6 %) e Ohio (75,1 %) nasceram lá, em contraste, apenas 24,3 % de Nevada, 35,2 % da Flórida, 37,2 % dos moradores de Washington , DC, e 37,7 % dos Arizonans. Um alto nível de moradores naturais da região também é indicativo da falta de ingresso de novas pessoas. ”
(Fonte: nevver, via theatlantic)
theeconomist:
This week’s euro-meteor is just the latest of many Economist covers devoted to the impending European debt crisis. The first was in May last year—no few inventive depictions of doom and despair have followed. Browse more (and read the stories) at this link.
Tropicália - Hélio Oiticica
Por: Almandrade
“Tropicália é a primeiríssima tentativa consciente, objetiva, de impor uma imagem obviamente brasileira ao contexto atual da vanguarda e das manifestações em geral da arte nacional. Tudo começou com a formulação do Parangolé, em 1964, com toda a minha experiência com o samba, com a descoberta dos morros, da arquitetura orgânica das favelas cariocas (e conseqüentemente outras, como as palafitas do Amazonas) e principalmente das construções espontâneas, anônimas nos grandes centros urbanos – a arte das ruas, das coisas inacabadas, dos terrenos baldios, etc.”
Hélio Oiticica
Depois do concretismo e o neoconcretismo, a arte brasileira ganhou maturidade para superar o trauma de uma temática nacional / popular, com um nacionalismo antropofágico. As vanguardas construtivas foram as primeiras manifestações que projetaram o Brasil no cenário da modernidade. O concretismo defendia uma depuração formal fundamentado num racionalismo funcional e mecânico contra qualquer pretensão de expressividade, de certa forma, comprometido com a ideologia desenvolvimentista dominante no País nos anos de 1950. O neoconccretismo foi uma reação a tudo isso e uma retomada de valores e expressões nacionais, sem deixar de lado a universalidade da arte.
A incrementação sensorial que caracterizou o neoconcretismo de Hélio Oiticica tinha a intenção de envolver a participação do espectador na criação da obra de arte. O homem como ser no mundoconforme a fenomenologia de Merleau-Ponty. Depois de Mondrian, Malevith, Max Bill, Oiticica redescobre o samba, o corpo e a dança. Sua arte se direciona em sentido contrário do construtivismo, se aproxima do Dadá e de Duchamp, parte para a superação do quadro de cavalete. Uma arte não mais acabada, depois de concluída pelo artista, é objeto de manipulação coletiva, o artista convida ou oferece ao público a possibilidade de experimentar a criação.
A arte sai do museu para o espaço das trocas coletivas. Em 1964 Oiticica inventa o Parangolé, que tem como base estandartes, bandeiras, capas destinadas a ser carregadas ou vestidas pelos espectadores. Uma proposta que vai afirmar o seu programa para desenvolver os penetráveis ou manifestações ambientais, hoje conhecidas como instalações. O rompimento com o suporte tradicional se deu mediante uma reformulação no conceito de arte, com o objetivo de libertar o individuo de condicionamentos estéticos e culturais.
Na exposição NOVA OBJETIVIDADE BRASILEIRA, idealizada e apresentada pelo próprio Oiticica, no Museu de arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1967, ele instalou nos jardins do museu um penetrável ou ambiente chamado Tropicália. O País se encontrava sob domínio da ditadura militar. Ócio e criatividade se misturavam na obra, era também uma resposta ou uma provocação contra as condições de vida dentro de uma sociedade determinada por um trabalho autoritário e com uma parcela significativa da população vivendo na pobreza à margem da modernidade industrial.
A Tropicália era um labirinto construído com uma arquitetura improvisada, semelhante às favelas, um cenário tropical com plantas características e araras. O público caminhava descalço, pisando em areia, brita, água, experimentando sensações, no fim do percurso se defronta com um aparelho de TV ligado, um símbolo moderno. A nova imagem do Brasil, os meios de comunicação de massa contrastando com a miséria nacional. Polarizações e impasses da sociedade, da cultura, da estética e da política da arte nos anos de 1960. Radicalidade e experimentação que impulsionou as artes plásticas para o exercício da contemporaneidade.
Não era apenas um conjunto de elementos acústicos, táteis, visuais e semânticos descobertos a partir do envolvimento físico do espectador, que formalizou uma nova idéia de arte, A Tropicália era uma posição ética diante da sociedade. Oiticica falava em derrubar todas as morais, romper as estruturas estabelecidas e todo tipo de conformismo. Uma herança anarquista. Sem abandonar procedimentos construtivos recorreu à experiência plurisensorial para formatar um pensamento articulando o precário, o prazer e a razão, num deslumbrante espetáculo.
Oiticica quando pensou o conceito da tropicália como uma coisa ampla, não contava com a repercussão ao se transformar num movimento artístico cultural que contagiou o cenário brasileiro. Pregava uma integração entre as linguagens artísticas: artes plásticas, dança, música. A Tropicáliainventada por Hélio Oiticica, não era a criação do mito tropicalista de araras e bananeiras como foi divulgado, era uma posição crítica diante de problemas e impasses na arte, na cultura e na política advindos do sentimento de culpa da vanguarda com a linguagem nacional e do regime político implantado no País a partir de 1964. Tinha uma pretensão explícita de objetivar uma linguagem brasileira de vanguarda que fizesse frente à imagética pop e op internacionais.